Jovens vão pautar campanha eleitoral

Posted: 5th agosto 2013 by Redação Blog Agência Impacto in Dicas para seu site

05/08/2013

Brasil Econômico

Com a experiência de mais de uma década em estudos sobre a classe média, Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto Data Popular, lembra que o jovem é o novo formador dessa camada da população e representa um terço do eleitorado brasileiro. "Quem conseguir captar a vontade desse grupo tem grande chance de conquistar essa fatia do eleitorado", diz Meirelles, para quem o grande problema da análise das passeatas foi confundir pretexto com motivo: "As bandeiras eram generalizadas".

Entrevista: Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular

"QUEM CONQUISTAR OS JOVENS PODE GANHAR A ELEIÇÃO"

O contexto mudou e a nova classe média já não é tão nova assim. Em tempos de economia desaquecida, não é possível impor sobre ela a responsabilidade de continuar impulsionando o crescimento no ritmo acelerado de anos atrás, diz Renato Meirelles, diretor-presidente do Data Popular, instituto especialista em pesquisas sobre o comportamento das classes C, D e E. Ainda assim, a nova classe C permanece consumindo em patamar elevado. Ela movimenta R$ 1 trilhão por ano em compras, quase o dobro da quantia registrada pelo instituto em 2006, de R$ 550 bilhões anuais. Nesse meio tempo, cresceu o número de integrantes e também a renda salarial, o que garante musculatura a essa fatia da população. "O Brasil é o único país entre os BRICs que cresce de baixo para cima", salienta Meirelles. Sobre a nova classe C, pesa a inflação. O aumento dos preços dos serviços, até então um "privilégio" dos mais ricos, hoje corrói o orçamento de um número maior de consumidores. Para reivindicar os direitos recém-descobertos, a nova classe média se uniu à elite, das classes A e B, e elegeu os jovens como formadores de opinião e porta-vozes. Mais do que conquistar a simpatia da classe C, os candidatos têm que dar atenção aos jovens, porque as eleições tendem a ser definidas por eles. "Épreciso escutá-los", diz Meirelles.

André Pires e Fernanda Nunes

Há algum tempo, pesquisas com a nova classe C já revelam descontentamento com saúde e educação. Faltou ao governo atenção a esses indicativos, que culminaram nas manifestações?

Quando você estuda mais, ganha mais dinheiro e tem mais acesso aos serviços privados, você muda sua régua de qualidade. O cara que queria cesta básica, agora quer um plano de banda larga. Estamos falando de brasileiros que passaram a fazer parte do emprego formal e a pagar imposto diretamente retido na fonte. Aí eles começam a entender que a contrapartida dos governos pelos impostos não é favor, mas obrigação. Na prática, vemos que o que trouxe o Brasil até aqui não vai ser o suficiente para nos levar mais para frente.

Qual o perfil dos manifestantes identificado nas pesquisas do Data Popular?

Metade da classe média e metade da classe A e B. A grande maioria era jovem. O jovem da classe A e B não vê a renda da sua família crescer na mesma velocidade que a renda do restante do Brasil. O colega que era filho da empregada está indo no mesmo cinema, tem um tablet e um conjunto de produtos. A outra metade é de jovens da classe C. Esses não têm a memória da melhora de vida que os pais tiveram. Porque o pai passou fome e não tinha emprego e, por isso, têm gratidão. Os maisjovens, não.Amemóriahis-tórica deles é dos últimos cinco anos, quando o Brasil não melhorou. A sensação dele é de perda de perspectiva de crescimento. O que aconteceu no Brasil é muito positivo para a democracia. É uma crise de representatividade.

A classe C será o foco dos candidatos nas próximas eleições?

Sim, por ser metade do eleitorado brasileiro, mas principalmente os jovens. Ele é o novo formador de opinião da classe média brasileira. O jovemjá representa um terço do eleitorado. Quem conseguir captar a vontade desses jovens, que na sua maioria estudaram mais que os pais, contribuíram com a renda da família e, por ter uma memória mais curta, pensam mais no futuro do que no passado, tem grande chance de conquistar essa fatia do eleitorado.

Boa parte da nova classe média é simpática aos programas sociais do governo Lula. Essa simpatia foi transferida para a presidente Dilma Rousseff?

Não tenho dúvida que se a eleição fosse hoje ela seria reeleita. Boapartedaclasse média enxerga nela a herdeira natural do presidente Lula. Mas, por mais que você goste do herdeiro, ele não gera o mesmo sentimento do original. Não confundam aprovação momentânea com lastro afetivo e gratidão construída ao longo dos anos. Isso é patrimônio do Lula.

Um dos argumentos utilizados para evitar o plebiscito da reforma política foi que a população, principalmente das classes C, D e E, teria dificuldade em opinar sobre o tema. A reforma política está na cabeça desse grupo?

O que está por trás da argumentação é o preconceito. Opropos-toéque eles nemvotem. Deveríamos, então, ter um grupo de intelectuais e sábios para decidir o futuro da democracia brasileira. Não existe nada tão antidemocrático quanto subestimar a capaci-dadedopovo brasileiro em decidir o seu futuro. O que está por trás desse discurso é a incapacidade da classe política de traduzir a discussão da reforma política para a maioria da sociedade brasileira. É papel da classe política explicar o que é voto distrital, de uma forma que essa classe entenda, e incentivar o debate.

Em pesquisas, entrevistados chegaram a abordar o plebiscito?

A forma como o plebiscito foi apresentado para a população é mais ou menos como quando você está com o carro quebrado. Você vai ao mecânico e não entende nada de carro. Aí pergunta qual o problema. Ele diz que é a "repimbocada para fuseta". Você desconfia: se ele está falando complicado, está tentando enganar. Foi essa a leitura que o tema reforma política teve da população. Se a pergunta fosse "Você é a favor quea população vote e decida sobre uma nova forma de representação política?", todos seriam favoráveis. O brasileiro é a favor de chamarpara si a decisão sobre o seu futuro. Em umapes-quisa na véspera das passeatas, 53% dos jovens colocaram que acreditam em si mesmos para conquistar um futuro melhor. Depois vinha Deus e lá atrás, com menos de 5%, o governo. Qual o sinal? Eles querem ser protagonistas da própria história. Cabe à classe política se reconectar e se mostrar um agente confiável.

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